MILK


Sábado estava em casa e como não gosto de Carnaval, resolvi ir ao cinema. 

Duas amigas me ligaram dizendo que também estavam a fim de ir e sugeriram assistir MILK, um dos indicados ao Oscar, com o Sean Penn (gosto muito dele, ótimo ator e diretor, assistam Na Natureza Selvagem) e claro, extremamente temático!!

Fomos no Frei Caneca para a sessão das 21:40, e fiquei extremamente entusiasmado com o filme e com o papel de Harvey Milk para o movimento.

Alguém que com 40 anos tem consciência que não fez nada de bom na vida, vive no armário porqeu é uma condição sine qua non para viver naquele tempo, conhece uma pessoa que propõe a ele mudar e que o acompanha, mesmo de longe a partir de determinado momento. A inserção dele na vizinhança, a forma como ele age com todos os que o rodeiam, inclusive os garotos de programa, os que batem a porta dele (neste caso com final trágico) e a "cruzada" que ele enfrenta dos moralistas e hipócritas constantes na política norte-americana, e em qualquer política, mostram como deveríamos nos posicionar.

Me sinto como ele muitas vezes, inseguro por estar dentro de um pseudo armário, sem saber se estou fora ou dentro e com isso com receio de me posicionar com relação as políticas para o movimento. 

O filme me fez refletir e pensar que devemos parar de criticar a pessoas que estão dando a cara para bater e sim apoia-las. Quando vamos ter consciência que é hora de sair e fazer algo. 

Existe um momento do filme em que ele pede para que toda a equipe saia do armário, que declare a todos, familia, amigos, empregadores, o padre/pastor, a qualquer um, que é gay. Ele defende, com consciência e seriedade que, quando todos tiverem consciência de que somos normais e estamos vivendo uma vida como todo mundo, trabalhando, se divertindo e assumindo nossas responsabilidades, o mundo poderá olhar para nós de outra forma.

Foi exatamente assim que eles conseguiram conquistar tantos direitos e seguiram em frente lutando e enfrentado uma sociedade preconceituosa. Com senadores homofóbicos, pastores ao melhor estilo Silas dizendo que devemos queimar junto ao demônio ( que o diga o Marcos - Passageiro do Mundo).

Pensei muito neste feriado, e ando pensando ainda no que fazer. Sempre tive preconceito com levantar a bandeira, mas acho que está chegando a hora de pegar a minha, aos poucos tenho certeza que consigo e tentarei fazer algo melhor para mim e para a sociedade.

Me preocupo mais ainda, porque trabalho para o governo, conheço várias pessoas que poderiam fazer melhor e mais, inclusive eu. Domingo faço 33 anos, e tirando a vida colegial onde lutei contra Fernando Collor, quando fui às pesseatas de cara pintada pedindo conscientemente a saída dele, de quem fui contra durante toda a campanha presidencial daquele ano, apesar de ter apenas 14 anos. Nunca mais fiz nada politicamente falando. Adoro politica, sei que há a politicagem também, vemos ela diariamente acontecendo, mas tenho certeza que posso fazer politica séria.

Não,  não achem que vou me candidatar, prefiro ficar nos bastidores, trabalho de forma séria e clara para que algo bom aconteça. Este é meu estilo, sempre foi. Não curto puxar a passeata, gosto de organiza-la, fazer e pensar num resultado para o que se defende. 

Uma coisa eu sei, o que preciso é acreditar na causa, e isso ainda precisa amadurecer. tenho certeza que uma vez acreditando em tudo, vou me empenhar para resolver cada passo e melhorar tudo.

Aconselho todos a assistirem, e levem lenço, pq eu não tinha onde enxugar as lágrimas. 

Como não poderia deixar de ser, peço que prestem atenção no papel de Emile Hirsch (sou fá dele), que só notei nos créditos finais.. rsrsrsrsrs Ele está bem diferente, mas fofo como só ele sabe ser, além de se tornar o braço direito de Milk. 

Conto com o apoio de todos para me ajudarem a mudar a situação pessoal e quem sabe a geral!!